quinta-feira, 21 de julho de 2011

Vovókype


Ando meio relapsa (acho que é a primeira vez que escrevo esta palavra). Que eu perdoe a mim mesma mas é que estou vivendo o ócio que este mato sem cachorro me proporciona. Passo o dia numa calmaria só, correria não faz parte mais dos meus "entas", e não foi isto que me prometi na aposentadoria? Pois então.

Meu tempo tem sido dividido com aulas de inglês que dou para um número restrito de alunos, academia, caminhadas, TV, livros, música e internet. Vai tudo bem obrigado, e nem posso reclamar. Afinal, com as restritas opções que tenho, nem dúvida posso ter sobre que programa fazer. Nos fins de semana pegamos um cineminha no cine-teatro Carajás e se dermos sorte assistiremos um filme legal, se não, só na semana seguinte. Por aqui é um filme por semana, mas o programa já é surreal. Tomamos banho, nos arrumamos, nos perfumamos, pegamos o carro e em 3 minutos estamos estacionando entre as grandes árvores, ouvindo os mais diversos barulhos da mata. Uma trilha cinematográfica!

Mas o que fez minha rotina melhorar muito foi a tecnologia. Nem te conto... mas não resisto... e conto então. Minha internet está funcionando que é uma belezura! Finalmente a Aranet apareceu nas nossas vidas e nos conectou de vez com o mundo colorido! É à rádio e como nossa casa recebe sinal perfeito da torre instalada no centro do núcleo (não há nenhuma árvore bloqueando), temos então a sorte de poder estar online durante dia e noite! Isto é a glória!

Então, agora, minhas tardes, passo conversando com meu netinho de quatro meses que já está conectado, sempre on line pra nossos papos super interessantes e profundos. Nos vemos e nos ouvimos, trocamos idéias e quando já dissemos tudo, nos despedimos clicando Exit. Seus olhinhos arregalados tentam acompanhar meus movimentos e já posso ver que o olho no olho será o tom de nossa relação daqui pra frente.

Minha filha mostra como ele está durinho, já quase senta, já segura o chocalho, já balbucia uns sons, e sorri... o sorriso mais lindo deste mundo! Ah! Não sei o que seria de uma avó distante sem esta tecnologia. Só sei que de agora em diante, real ou virtual, estarei presente na vida dele, e até aguento ser chamada de vovókype.

sábado, 18 de junho de 2011

Que bode!







Desde quinta-feira sou movida pelo fiozinho de energia que me resta. Além de estar na última semana de casa de campo, quando já começo a me preparar para decolar deste mato sem cachorro, uma gripe sonofbitch me pega de jeito e o marasmo peculiar reinante ganha proporções gigantescas. Só quero cama e TV (aliás o que seria de nós sem uma Globonews, GNT, CNN, BBC, pra nos manter conectados ao mundo?)

Bom, vocês não notaram mas dei uma paradinha pra uma tussida básica, catarrenta que às vezes me faz correr pra pia do banheiro para poder ter livremente um acesso de vômito. Esta droga de catarro me deixa muito irritada, principalmente porque me deixa inerte, sem ânimo. E ainda me perguntam se tomei a vacina contra gripe... Sem resposta.

Mas hoje de manhã combinei com um amigo sofredor por fotografias como eu, e fomos ao Zoológico repetir as mesmas fotos de sempre, ver os mesmo bichos de sempre, e voltar com a mesma sensação de sempre: a motivação anda acabando.

É ... o astral não está nada bom mesmo. Culpa da gripe. Mas só pra deixar registrado que depois de muitas mudanças de diafragma, velocidade, ISO, foco, posição, etc, etc, pudemos registrar algumas fotos interessantes. Falta apenas fazer cumprir a idéia de juntar uma galera que fotografe por aqui para trocarmos umas figurinhas, quero dizer, fotinhas.

Então aproveitem a beleza registrada pelas lentes Sony e as minhas amoadas pupilas.

domingo, 5 de junho de 2011

Geologada








Foi sábado a grande bebemoração! Estas criaturas curiosas fazem questão de deixar registrado que o dia 30 de maio é delas. Quem quiser que venha se juntar a estes doidos de pedra, porque alegria tem de sobra, principalmente se tiver muito chopp, música e papo bom. Se a conversa não rolar, então pergunte sobre teor, depósito, subterrâneo, testemunho e com certeza os olhos destes caras brilharão e a boca se abrirá em sorriso e num monte de informação. São movidos a energia da Terra e misturados nela são pinto no lixo. Não são vencidos pelo cansado desde que tenham uma rocha pela frente. Se for rocha dura, muito melhor, senão serve uma boa terra vermelha que leve ao minério. Se a mina é viável, ah, isto é de menor importância, o que vale é ter ido às profundezas da Terra depois do mapa estudado.

Vibração, entusiasmo, como definir este sentimento geológico? Talvez sabedoria, humildade de quem sabe que "A verdadeira potência do mundo é a Natureza". E salve o Dia do Geólogo!!!

domingo, 15 de maio de 2011

Bicicleta

Publicar postagem

Nem sei como começar. Tantos meses se passaram, tantas coisas aconteceram que fica difícil acreditar que estou nova, novamente, pra recomeçar. Sem exageros, é claro.

Já havia pensado em voltar a blogar, mas a preguiça foi maior que a necessidade. Olho pra trás, vejo que tudo começou assim, por necessidade, mas hoje vejo tudo um pouco diferente. O mato sem cachorro continua o mesmo exagero de verde, o mesmo gigantesco silêncio, as mesmas pessoas socadas dentro de casa, a mesma chuva torrencial do inverno e o verão, que já começa esquentar por aqui, é o mesmo. Será? Se tudo vem mudando neste planeta, porque eu não haveria de mudar também?

Mas isto é papo que não vai levar a muita coisa. O que tenho de melhor a blogar hoje é um fato simples acontecido nesta minha estada por estas bandas amazônicas.

Contaram-me logo que aterrizei neste mato verde a dois anos atrás, que não havia ladrões de bicicletas na área. Todos se utilizam destes bi-ciclos por aqui pelo fato do lugar ser totalmente plano, asfaltado e ter ciclovia. Um excelente convite ao trânsito verde, à queima de calorias e à economia. De estudantes a funcionários, todos se utilizam do pedal pra ir e vir rapidamente da escola, do supermercado, do clube, do trabalho e até mesmo por puro prazer de circular em velocidade pelos limites da floresta.

Pois não fiquei de fora desta onda. Com duas bicicletas adquiridas com antecedência, engrosso a turma dos ciclistas. Quanto ao digníssimo geólogo, deixei-o de lado, depois de muitas restrições a sua bike que está envelhecendo de tão sem uso.

Ontem fui à academia, obviamente de bicicleta. Vi que havia muitas estacionadas no bicicletário e estranhei. Talvez fosse a hora do dia, talvez o verão trazendo mais energia aos inertes. Estacionei-a sem corrente, como venho fazendo nestes últimos anos. Sempre chego a pensar que corro risco, mas prefiro o sentimento otimista que me impregna no momento. Resolvo mais uma vez, deixá-la solta, livre, disponível. É meu espírito quem manda.

Entro na academia, faço meu programa inteiro, suo a camisa, metaforicamente falando, pois agora temos ar condicionado. A academia está novinha em folha, obra de igreja um dia acaba. Que felicidade pros incrédulos. Despeço-me de todos e vou ao encontro do meu veículo de duas rodas que me garantirá uma rápida chegada em casa, neste sol de rachar. Penso que estou mais uma vez livre desta tirania do corpo. Caminho para o bicicletário.

Acho que não preciso dizer, mas vou dizer mesmo assim. Levaram minha bicicleta. No meio de tantas cores e tipos, não consigo localizá-la. Chego mais perto, examino uma por uma, e não vejo nada familiar. Parece ser aquela ali. Não, esta é mais velha, muito mais. A minha é nova e além do mais tem cestinha. Caramba! Será possível que o inevitável aconteceu comigo? Fato consumado.

Alguns já haviam me falado que ninguém rouba bicicleta neste mato sem cachorro, o que acontece é que as pessoas pegam emprestado por alguma necessidade momentânea. Depois a devolvem, largam-na em algum lugar, às vezes jogam-na no chão, desprezadas depois de cumprirem uma missão.

Sempre desconfiei desta estória, achava que era papo de locais super valorizando a terrinha. Como assim? Bicicleta é socializada por aqui?

Contei para algumas pessoas sobre o desaparecimento da minha bicicleta, já que a palavra roubo me soava forte demais, e resolvi aguardar para comprovar esta estória de bicicleta social.

Hoje, logo após a academia, convidei minha vizinha e amiga para fazermos uma busca. De carro, cada uma olhando para um lado da rua, tentaríamos avistar qualquer coisa parecida com uma bicicleta vermelha. Caso encontrássemos, abordaríamos o dono e conferiríamos a procedência da dita cuja.

Contando talvez ninguém acredite, eu mesmo fico achando tudo isto surreal, mas o fato é que no final da primeira rua onde se encontrava uma parada de ônibus, não pude conter minha alegria e gritei: “é a minha bicicleta!”

Paradinha, escorada no concreto, do jeito que minha memória a registrara, lá estava ela, livre, solta, disponível como eu a havia deixado no dia anterior no bicicletário. Unbelievable!!!

A estória se confirmou. Algum necessitado de transporte rápido, se apoderou da minha bike, chegou ao ponto de ônibus, e só teve tempo de tomar um guaraná, e subir no veículo em direção ao seu destino final.

A pet na cestinha revelavam a presença humana e a posição da bicicleta, o seu honesto interesse nela.

Fiquei aliviada por recuperar minha vermelhinha, mas acho que o melhor de tudo, foi a comprovação de que pedalar por aqui é a mais pura extensão dos pés.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Vidas novas chegando



Tem tempo que não registro meus momentos aqui neste mato sem cachorro. Acho que ando meio distraída, quero dizer, entretida com outros bichinhos. Mas depois do que vi esta semana, logo após uma torrencial chuva de madrugada e uma linda manhã de sol, meus dedos começaram a coçar novamente e aqui estou eu teclando.

Desci a serra até Parauapebas e não pude evitar o atropelamento de centenas de borboletas. Me desculpe mãe natureza, mas não tive culpa, as borboletinhas invadiam a estrada aos milhares e me fizeram perplexa com tamanha beleza. Até aquela grande, azul cintilante, ousou me encarar no para-brisas do carro. Pensei que as águas, não de março, mas de novembro, aqui neste outro quase hemisfério haviam chegado e com elas novas criaturas para alimentar este ciclo verde infinito.

Voltei pra casa depois de resolver algumas coisinhas no Peba, tomei meu banho e já ia preparar o almoço quando vi através da tela da porta da sala as borboletinhas novamente. Como não bastasse a estrada, invadiram também o jardim de casa. Que maravilha!!!

Abri a porta e fui apreciar a revoada caótica e frenéticas das recém-nascidas, e vi que se amontoavam na rua próximo ao meio-fio, em frente à casa vizinha. Vagarosamente me aproximei das verdinhas e pra meu espanto elas estavam reunidas numa poça de lama, cheia de material orgânico. Talvez seja hora de almoço, talvez estejam em conferência, talvez estejam celebrando com um drink. Sei lá, o que faziam, mas não pude evitar uma corrida até minha máquina fotográfica.

No sol, que secou quase imediatamente meu cabelo molhado do recém banho, fiquei registrando aquelas pequenas coisinhas coloridas que ora ficavam paradas, ora batiam loucamente em círculo, fugindo de alguém que passava. Eu, paralisada, só mexia o dedo indicador para disparar as fotos. Quase sem respirar, batia sem parar tentando captar cada movimento e posição que as voadoras faziam. A luz do sol batia em suas asas e davam brilho especial às cores verde, amarelo, laranja, tons suaves fazendo o conjunto dos seres, o mais bonito que vi nos últimos tempos.

Depois deste emocionante episódio, voltei pra dentro de casa e fui esquentar a comida pois o corpo já estava quente do sol e o coração aquecido até demais.








sábado, 16 de outubro de 2010

Davi

Fico emocionada ao escrever seu nome. É minha primeira vez, e como todas as primeiras vezes, há uma certa magia. Você já é uma presença em nossas vidas apesar de estar no planeta água, distante, sozinho, quietinho, ainda com muito espaço para mergulhar nas águas da sua mãe, minha filha.

Queria te dizer que seu cordão umbilical já está conectado a mim também, e que sua respiração já sobra suave na minha face. Já posso sentir seu toque, escutar sua fala e enxergar seus olhos. Estou ficando mais perto de você.

Queria te dizer que estou me preparando para quando você deixar este seu mundinho, pronto para se aventurar neste mundão. Estou me aquecendo para não lhe faltar calor.

Queria te dizer que farei de tudo para que você cresça no melhor dos mundos, o dos afetos. Sei que ainda vou ter que aprender muito, e para isto conto com você. Vamos trocar muitos, mas muitos beijos e abraços em nossas aulas de carinho.

Queria te dizer que seja você quem for, sei que é único e por isto devo me entregar intensa a esta aventura que é o conhecer humano. Estou cheia de ilusões, porque delas faço hoje, minha nova realidade.

Queria te dizer que vou continuar me preparando, e sempre que preciso, para que eu seja na sua vida um bem que nunca se acabe. Meu coração já está nesta sintonia e batendo no compasso do seu coraçãozinho. Não podemos deixar que sobressaltos atrapalhem nossa música, porque daqui por diante cantaremos juntos.

Por último queria te dizer que seu nome já me faz sonhar, e se você também sonha, que a gente já marque um primeiro encontro, o primeiro de muitos ...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Novos hóspedes








A vida neste mato sem cachorro continua tranquila, não há nada que possa alterar esta rotina caseira, florestal, mineral, ou lá o que seja esta quietude externa, porque a interna continua procurando algo novo, como sempre.


Esta semana a rotina foi quebrada infelizmente por um acidente fatal. Então é bom não desejar muito que algo aconteça por aqui porque pode deprimir mais ainda. O empregado de uma companhia desceu mina abaixo de caminhão e só foi parado por um bloco de rocha dura que não aliviou sua agonia. O choque foi desastroso e ele não teve tempo nem de pular pra fora do veículo, e a morte o recebeu de frente. Muito triste.


Mas a vida continua e temos mostra tripla acima da porta de nossa varanda. A alguns dias atrás um passarinho trazia gravetos e numa engenharia perfeita produziu um berço esplêndido para os ovos que logo em seguida foi colocando. Nosso geólogo sempre de plantão deu sinal do acontecido e feliz da vida veio me dizer que tínhamos hóspedes. Como assim, perguntei? E ele, vibrando, disse que a mamãe passarinho chocava pacientemente seus ovinhos e só saía para comer mas voltava literalmente voando pra não deixar seus filhotes desprovidos de calor, sujeitos às intempéries e aos predadores de ovos que imagino serem muitos por aqui.


Não dei muita bola, estes passarinhos andaram me irritando. Volta e meia faziam uma reviravolta na terra, especialmente num determinado vaso de plantas da varanda da frente, que me deixava furiosa. Eu resmungava alto, querendo que eles entendessem a minha indignação, e mas abaixava pra reunia a bagunça deixada no chão. Terra, folhas secas e pedacinhos de pau. Eu não entendia nada e os achava muito atrevidos e violentos. Que a mãe natureza me perdoe mas a sujeira era grande e eu não entendia nada de passarinhos.


Ontem pela manhã notei que a mãe passarinha ia e vinha do ninho. Com o olhar mais atento notei que ela levava comida na bico e rapidamente entendi que poderiam ser para os filhotes recém-nascidos. Peguei um banco, minha câmera fotográfica e com um certo medo de ser atacada pela maezona, posicionei a máquina de forma que o seu visor móvel me deixasse ver o que havia dentro do ninho estando por baixo dele.


Não deu outra, ali estavam três criaturinhas peladas, com cabeça, membros e olhos ainda fechados de um negro inchaço, fazendo com que parecessem ETs. Não sei bem o que senti mas meus dedos instantaneamente reagiram disparando o botão da máquina. A cada clicada as avezinhas respondiam com reflexo e abriam a boca. Um movimento natural, não aprendido e que naturalmente garantiria o resto do processo da gestação.


Felizmente a maezona não se meteu comigo e acho até que ficou apreensiva vendo aquela invasão de privacidade. Caminhava agitada na murinho próximo, talvez se preparando pra atacar caso eu resolvesse colocar a mão na prole.


Hoje fui olhá-los novamente, e lá estavam do mesmo jeito, enroscadinhos entre si, pura pele, pura fragilidade, pulsação de mais de 120 bpm, um potencial de vida impressionante.


E eu aqui com meus botões, vou entendendo certas coisas. Uma delas é que aquela bagunça no meu vaso de planta nada mais era do que o garimpar de gravetos para, talvez aquele ninho, e a outra é que a vida é na maioria das vezes muito silenciosa. Me resta então, aprender muito com os nossos novos hóspedes.