sábado, 15 de maio de 2010
Saindo da inércia
domingo, 28 de março de 2010
Faz um ano
Numa visita hoje ao Zoológico fiquei surpresa com a quantidade de crianças e adultos presentes. O aniversário do lugar, 25 anos, foi comemorado com exposição de livros, brinquedos, animais expostos (capivara e cachorro do mato), pipoca, refrigerante e pessoas do Museu Emilio Goeldi orientando. Não diria que foi um super evento, pelo contrário, foi simples, diria pobre, mas que conseguiu retirar as pessoas de suas casas.
Fiquei pensando em como poderia ser mais dinâmico este Zoológico, com atividades que atraissem mais adultos e crianças, mas tudo por aqui parece ter um ritmo próprio, lento, sem muitas exigências, e assim o curso da vida carajense só se dá mesmo de forma intensa através dos veios rochosos das minas de ferro e cobre.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
As semelhanças
Assistindo pela segunda vez o filme AVATAR, apesar da falta do 3D e da versão dublada agora, não pude disfarçar minha emoção. O cine-teatro, nesta sexta-feira, estava lotado e já não havia fila para a compra de ingressos. Saí de casa cinco minutos antes da sessão e cheguei faltando um minuto, indo a 30km p/h. Uma noite realmente isenta de qualquer estresse e sonorizada pela floresta.
Relutei em entrar quando soube que o filme era duplado. Se há de convir que só mesmo a falta do que fazer neste mato sem cachorro numa sexta-feira a noite, nos faz arriscar uma versão do Avatar desprovida de tecnologia e língua nativa. Outros, sem sombra de dúvida, optariam por afogar as mágoas em aguardente.
Pois bem, aceitei o desafio que me impus e arrisquei ter que sair no meio do filme por completa desmotivação. Paguei os dez reais do ingresso, comprei dois batons, peguei um copo d'água gelada e me posicionei ao fundo, na ponta, para eventual escape.
As luzes se apagaram, a platéia surpreendentemente estava silenciosa, os lugares praticamente todos ocupados e o barulho da pipoca mastigada não incomodava. O filme começa e logo de cara o estranhamento das vozes dos dubladores. Foi aí que o esforço pra não me deixar levar pelo sentimento de estar sendo enganada, começa.
Relaxa criatura, aproveita a bela história, o conteúdo, a mensagem. Afinal o 3D é um luxo e o inglês é apenas uma língua estrangeira. Tire proveito deste momento histórico de estar assistindo a um filme potencial ganhador do Oscar no meio da floresta Amazônica.
E assim, permaneci as duas horas e meia do filme: tomada pelas maravilhas de Pandora, tocada pela humanidade dos Avatars, embevecida pela criatividade e qualidade técnica do filme e reflexiva pela mensagem eco-spiritual-friendly de Avatar.
Qualquer semelhança com a atividade mineradora na Floresta Amazônica, é mera coincidência, mas não pude deixar de fazer esta conexão. Mas minha melhor conexão foi a do herói do filme, que por ter coração puro como uma criança e ser forte como um guerreiro, me lembrou nosso geólogo, heroicamente de plantão, que vai em frente no que acredita e no que dita seu coração.
Fim de noite, a volta pra casa se dá em quatro minutos e claro, sob a proteção das Grandes Árvores.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Pequeno balanço
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Ano Novo, vida nova
Sem mais nem menos ela junta os poucos pertences que acumulou, anuncia a venda da casa supervalorizada (investimento em terras e imóveis por aqui é retorno certo e lucrativo) e vai pra juntos dos seus filhos com um novo emprego de cozinheira numa cantina de empresa maranhense.
Fiquei feliz por ela e acho que aprendemos um pouco uma com a outra. Sua inteligência me surpreendeu e seu desprendimento me desconsertou. Para a maioria destes maranhenses que saem de suas cidades a procura de emprego no Pará, o pão de cada dia é ganho nas diárias que fazem em casas de família ou em empreitadas nas mineradoras. Não há tanto trabalho pra quem tem pouca escolaridade e a sobrevivência é uma conquista diária. Mas nem por isto eles se mostram desanimados.
Eu e Leda praticamos o respeito uma pela outra, e com muita honestidade e franqueza consegui mostrar que certos hábitos, como por exemplo, calçar chinelos da patroa ou levar frutas pra casa, não são compatíveis com o profissionalismo que se espera de uma empregada doméstica.
Lá foi ela com um currículo feito e impresso por mim que acho que a ajudou a se colocar melhor no mercado. Lá foi ela com minha recomendação de que seja o mais correta possível e procure sempre fazer o melhor. Lá foi ela com a certeza de que terá mais uma boa referência a ser incluída no seu currículo. Lá foi ela feliz ao encontro dos filhos e do emprego almejado.
E enquanto isto, Ronilda, recomeça sua vida fazendo diárias na nossa casa.
O mesmo aspirador que Leda manipulou com destreza, deixou Ronilda ressabiada, sem muita crença de que a máquina substituiria sua vassoura. Mas com os olhos arregalados de espanto me revelou ao usá-lo na sua primeira vez: -Dona Miriam ... mas o homem faz mesmo coisas incríveis!!! E a vassoura ficou esquecida num canto.
Conversamos um pouco, mas já pude perceber que é outra mulher de fibra. Seu gosto por limpeza chega ser obssessivo e a preocupação com a qualidade do seu trabalho é algo raro na categoria. Acho que estou com sorte.
Nós três, então, entramos o Ano Novo de pé direito e tenho fé de que estamos indo na direção certa.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Primeira vez
Foi o que aconteceu. Depois de tentar frear o coração que bateu forte para arrebentar o peito, saquei minha câmera fotográfica e meio trêmula ainda, atirei uma foto no guariba. Preto, preto, dono de si, olhou para os lados me descobrindo e como quem sabe que passam carros por ali, depois olhou para frente e, decidido, logo em seguida subiu numa árvore com a destreza primata.
No fim da tarde ou pela manhã é muito comum ouvirmos os gritos, grunhidos, conversações, ou lá o que seja aquilo que os guaribas fazem do alto das árvores. A primeira vez que ouvi foi quando percebi que a macacada parece reinar no pedaço e que do alto de suas torres nos observam, talvez fazendo pouco caso de nós: “Sobre duas pernas? Que andar sem graça destes ex-primatas!”.
Depois disso tive outras experiências pedalando pelo núcleo, mas nenhuma delas tão excitante, e por isto continuo limpando minhas lentes para um próximo encontro, quem sabe a onça apareça em 2010!? Quem sabe minha imaginação continue me reinventando por aqui? Quem sabe eu continue vendo coisas pela primeira vez? Quem sabe ...
domingo, 6 de dezembro de 2009
E no meio do caminho ...
Nos vestimos, tomamos café e aguardamos a chegada de nosso guia. O principal propósito era olhar alguns testemunhos de rocha e tornar crível que a 100 km de Carajás, numa antiga mina de ouro desativada, as chances de uma nova mina de cobre não eram nem um pouco remotas. Entre dois geólogos, amigos de longa data, dentro de uma super caminhonete recheada de EPI (equipamento de proteção individual), minha pessoa não parava de levantar questões ao longo da estrada que corta as grandes cavas da mina de ferro e rasga a densa floresta amazônica.
Como não aproveitar dos dois experts in rocha, guias perfeitos nesta incursão nas entranhas da Terra?
O tempo estava nublado e a dúvida sobre se era apenas neblina ou fumaça das queimadas ainda comuns nesta região, pairava no ar. Os buracos na pista vermelha (presença marcante do ferro), faziam nossos esqueletos pularem no limite de nossos cintos de segurança. Atentos esperávamos que alguma onça preta, parda ou pintada aparecesse para nos presentear os olhos. Mas não descansávamos os ouvidos daquela conversa sobre depósitos, minas, viabilidade, smelters, investimento, projetos, etc, etc, etc.
O verde nos acompanhava sem descanço, floresta virgem de vez enquanto mostrava-se muito presente na forma de árvore caída transversalmente na estrada. Felizmente alguém já haviam aberto passagem possibilitando acesso fácil. Mas percebi que há sempre surpresas nesta região inóspita, onde o geólogo insiste em adentrar e romper a linha tênue que nos separa da nossa natureza primitiva.
Finalmente chegamos a antiga mina de Igarapé-Bahia (ouro), hoje projeto do Alemão (cobre) e pra minha surpresa, lá estava, como nos filmes de faroeste americano, não uma cidade fantasma, mas uma mina fantasma. Pude sentir os fantasmas rondando, operando máquinas, trabalhando nos escritórios, detonando cavas, subindo e descendo rampas em seus caminhões gigantes, num ininterrupto movimento típico da atividade mineradora.
Imaginei que os fantasmas, ainda vivos, e agora perambulando por minas em atividade, se voltassem a Igarapé-Bahia, iriam rewind a fita de suas vidas e quem sabe se emocionar com o passado. Passado ainda muito presente e vivo pois a natureza deu um jeito de preencher as grandes cavas com água verde, profunda, virgem, formando um cânion com encostas serrilhadas, marca indubitável de que um dia uma mina esteve aqui. Um espetáculo criado pelo homem em parceria com a natureza!
Começamos nossa viagem de volta e eu já considerava meu dia ganho, quando no meio do caminho tinha uma ... E esta é uma postagem a parte, mas que se dará na forma de vídeo, pois a câmera saltou de minhas mãos e registrou o feito de nossos geólogos. http://www.youtube.com/watch?v=pGRYALhv2ts
Mais que depressa eles removeram outro obstáculo nesta aventura por um simples olhar de testemunho de 400 metros de profundidade, cheio de calcopirita, bornita, magnetita, e outras itas mais que não me lembro o nome. Me lembro sim da sua beleza, o que talvez seja o mínimo diante da infindável busca geológica neste nosso PLANETA AZUL, verde, vermelho, preto, amarelo, branco ...
Voltamos ainda a tempo de preencher o único vazio restante, nosso estômago que agora dava sinal de vida.
