sexta-feira, 17 de abril de 2009

Rain Forest

Now I know exactly what it means!!!

No início do mês resolvi anotar no calendário de 2009 os dias que chovem em Carajás. Comecei marcando no dia 18 de março e sabem que não parei mais? Apenas 8 dias em um mês não teve chuva. Sendo assim, a partir de agora, vou inverter a marcação, certo?

Hoje, fiz um dia diferente, resolvi mexer no jardim. Prometi a mim mesma que não faria isto, mas quem aguenta lidar com estes jardineiros de Carajás? Eles já tem um esquema montado a anos e não querem fazer diferente. Só trabalham com ajudante e cobram duas diárias, mesmo você dizendo que não quer dois jardineiros e que não se importa de ter o serviço dividido em outros dias. Tô de saco cheio, já discuti com dois e foi aí que resolvi botar a mão na massa, ou melhor, na terra vermelha. Sim, a terra aqui é vermelha por causa do ferro, sendo assim, depois que dei por acabado o serviço de jardinagem (minha lombar gritava), tive que esfregar muito minhas mãos pra perder o tom carmim.

Muito bem, acho que vou ter que repensar esta coisa de jardinagem.

A tarde fui ao "Peba", que vocês já conhecem muito bem, principalmente debaixo d'água. Bom, hoje estava tudo empoeiradamente seco, muitas motos pelas ruas e o trânsito até que bom. Como quem faz a lei por aqui é a galera, de vez enquando há um certo caos, mas tudo muito organizado.

Fui a famosa LEOLAR, loja tipo departamento onde você encontra de várias coisas. Confesso que fiquei surpresa com a organização para pagar uma mercadoria. Comprei uma frigideira (pretendo fazer uns bijus) e perguntei onde devia pagar. Imediatamente a vendedora pegou o produto, foi até um terminal de computador, perguntou alguns dos meus dados, preencheu o cadastro e disse para eu me dirigir ao caixa. Chegando lá, uma outra moça pegou meu cartão de crédito e tirou uma notinha. Depois disso, fui até um outro balcão onde se achava minha frigideira. Apresentei a notinha a uma outra moça que colocou-a num saco plástico com lacre.

Tudo bem que organização é fundamental, mas este circuito me irritou. Não é a toa que as pessoas dizem que perdem mais tempo pagando do que comprando. Viva a Americana Express, que pelo jeito não vai implacar por estas bandas.

Ah! Esqueci de dizer que a LEOLAR é tão popular nas cidades paraenses, que ao invés da placa benvindo a Curionópolis, ou benvindo a Eldorado dos Carajás, você lê benvindo a LEOLAR. A danada, além da organização exemplar ainda tem um marketing infalível. Parabéns Leo!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Carimbó, diretamente da Baía de Guajará, Belém do Pará!!!

Só pra distrair vocês um pouquinho, lá vai a dança mais dançada pelos Paraenses.

É pai d'égua sô? (sentiu os sinais multiculturais?)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Belém do Pará

Depois de um mês de Carajás, voamos pra capitá. Por um triz não ficamos em Marabá (comprei passagem aérea pro dia errado). Mas continuo achando que a GOL anda levando vantagem com o horário de 0:10h. Dia 09 ou 10? Me ferrei pois era 10 de abril. Segundo a vendedora GOL, não é o primeiro caso, nem será o último. Fazer o que? Pagar pela bobeada e esperar ter aprendido.

Esquecido o prejuízo, "mergulhamos" de cabeça nas águas da Baia de Guajará, que banha Belém e outras cidades. Impressionante o volume de água. Apesar de barrenta, pois carrega material orgânico de longe, sua beleza está na correnteza e na riqueza que traz aos povos ribeirinhos. Por ali, ninguém passa fome, a quantidade e diversidade de comida é flagrante.

No Ver-o-peso, principal mercado de Belém, o pescado, recém chegado do rio, está à mostra para os fregueses que passeiam entre os balcões. Filhote, Arraia, Tucunaré, Dourada, Pescada Amarela, Pargo, eis aí alguns deles que saboreamos num dos almoços.

As frutas são das mais exóticas, pelo menos para nós turistas do Sul Maravilha que ainda não sabemos de nada sobre as maravilhas do Norte. Se não estamos atentos, os nomes se embaralham em nossas cabeças e Miriti sai Tururi, ou então Tucupi, que não tem nada a ver com o pato, ou melhor, tem sim, é o Pato ao Tucupi, que comi e gostei. O Tacacá ficou pra depois, pois a tapioquinha entrou na frente.

Bom, mas o fato é que o Brasil não faz idéia desta biodiversidade, que não é só de fauna e flora, mas do Paraense, que forte e atarracado, sabe o que quer e defende seu pão de cada dia com toda criatividade: da produção de um viagra natural por exemplo, mistura de ervas que levanta qualquer "defunto", às pimentas arrumadinhas pra foto do gringo ("Pra tirar foto tem que pagar dois reais moça!").

O Paraense é dono real da terra, e sabe disso. Faz dela o que bem lhe apraz, traz nas veias a sabedoria do índio, as artimanhas portuguesas e, com um jeito todo seu, dribla a colonização francesa, deixando pra escanteio os imponentes prédios dos grandes ciclos.

Vi riquezas arquitetônicas brigando contra os maltratos do tempo e o descaso das autoridades. Vi, ainda, sinais de resistência de uma cultura ainda viva, vez por outra encontrada nos escombros dos sítios arqueológicos. São as histórias marajoaras contadas em suas cerâmicas.

A cerâmica Paraense é belíssima e em meio ao esgoto a céu aberto de Paracuri, em Icoaraci, encontramos a trajetória daquela gente que luta pra não ficar esquecida e que, apesar da vergonha, ainda se declara artesã. Seu José Pinto, diz que um convite para uma exposição do seu trabalho na França, ficou esquecido na gaveta de um funcionário público, porque no Pará, artesão é sinônimo de desqualificação.

Belém do Pará, uma cidade de grandes contrastes, mas com um potencial gigantesto para ser a mais visitada cidade do Brasil. Um lugar que apesar dos desgovernos ainda impera a Floresta Amazônica que dita os destinos da gente Paraense.

Apesar de apenas três dias, pude sentir a força daquele povo e a beleza de sua terra. E ainda de presente, ganhamos momentos de preciosa intimidade com nossos amigos da inesquecível Bahia. Valeu Victorassos!!! A gente vai continuar tendo boas histórias pra contar. Beijo, Miriam







quarta-feira, 8 de abril de 2009

I'm back


Muita chuva me aguardava. Aliás, toda a chuva que não caiu em Sergipe durante o ano todo, está caindo aqui num só dia. É impressionando o volume de água que cai dos céus, sim, porque um único céu não produziria tanta água.

Tudo aqui é exagerado, a começar pelo céu enorme que à noite é cravado de estrelas. Pena que no Núcleo tenha tantas luzes. É preciso escolher algumas vielas, entras as ruas maiores, para fugir da iluminação e, assim, se surpreender com o céu pintadinho. Imaginem se a VALE criasse um dia na semana para que todas as luzes fossem apagadas? Já sugeri.

Como ainda me surpreendo como algumas coisas por aqui, não resisti à lua que surgiu às 6 da tarde. Sim, é a mesma lua que vocês estão vendo aí pra baixo, quase cheia, mas toda branca, brilhante. Espero que a tenham notado, senão, ainda é tempo, vão até a janela, ou desçam à rua, façam alguma coisa, porque apesar de sua presença rotineira, ela está inspiradora. Vaí aí a foto que tirei do jardim, assim que ela pulou nos meus olhos.

Beijo, Miriam


domingo, 5 de abril de 2009

Primeira folga, obaaaaaaaaaaaaaa!

















Estranhando as paisagens? Isto é Rio de Janeiro, minha gente!

Depois de matar a saudade da família e verificar que nossa casa estava do jeito que deixei (meus filhotes não brincam em serviço), peguei minha bicicleta e fui ao encontro do mar. E tudo estava lá, no mesmo lugar: o marzão imenso e convidativo, os banhistas, os ciclistas, os sem teto, os cachorros, os pescadores, até Drummond de óculos e Caymmi. Sem tirar nem por, tudo está no seu lugar.

Encostei minha bike no Arpoador, parada estratégica e obrigatória, respirei fundo, o mais que pude, bebi uma água de coco e, então, sentei e contemplei esta natureza prima irmã de Carajás. Difícil compará-las mas na intimidade a gente percebe o quanto elas tem em comum. A paz reina, apesar de tudo, porque quem governa mesmo é a natureza.

Rio, cheio de bossa, minha pátria, mãe gentil, agora volto, acabou a folga, mas volto revigorada, com o coração ainda maior porque cheio dos meus filhos, minha família e meus amigos.

Até a próxima.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Inesperadamente...

Estava eu, sentada na varanda da frente de casa, num final emocionante do meu livro, quando para descansar os olhos, olhei o céu. Olhem só o que eu vi!!! Como disse o Pedro Martinelli no seu blog, "Não adianta, por do sol e arco íris são irresistíveis." Sendo assim, corri pra pegar minha máquina e não perdi tempo, atravessei a rua, obviamente olhando para os dois lados pra ver se não vinha nenhum carro, just in case, apertei o gatilho e aí vai o shot para deleite da galera que pede foto nos meus texto (certo querida-sobrinha-leitora-assídua-do-meu-blog?).

Ah! A moça que trabalha aqui em casa, sabendo que eu iria pro Rio neste fim de semana, perguntou quanto tempo levava. Eu lhe disse que se fosse de ônibus, acho que seriam uns 3 dias, mas como eu iria de avião, apenas algumas horas. Então, ela perguntou: "O que é que se sente quando o avião sobe?" Eu, prontamente respondi: "Uma felicidade enorme sabendo que ele está indo para o Rio de Janeiro".

Pois bem, a conversa continuou e trocamos grandes idéias enquanto lavávamos o carro.

Pelos próximos dias, talvez eu mude a paisagem e o assunto no blog, e vcs agora sabem a razão. Beijão e até mais!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Ozilene, Francielle, Ipojeana, Cleane, Orgenias, etc

A diversidade não é só na flora e na fauna amazônica, mas nos nomes dos humanos viventes por aqui. Acho que é inspiração da floresta.

Toda vez que alguém se apresentar com um nome simples, desconfie. Por detrás existe algo bem maior. Ando exercitando bastante meu tico-e-teco na tentativa de acertar de primeira o nome da pessoa com a qual estou me relacionando. Confesso que diferentemente da aula de dança, em que dava nó nas pernas, o obstáculo agora é a língua. Desafio qualquer um a falar Orgenias sem titubear, sem derrapar uma só vez nas viradas vocálicas e ainda ter uma fluência de pensamentos depois de dizer o tal nome. Só teve um jeito pra mim, passei a associar o cara a palavra orgia, o que convenhamos, não ficou nada bonito pra mim.

Bom, mas hoje tive uma tarde bem agradável conversando com a Ozilene, uma excelente cabeleireira do Núcleo. Não confunda com Rozilene, seria muito fácil, é Ozi.. mesmo, uma pessoa batalhadora que fez do salão de beleza em sua casa, uma oportunidade para desenvolver seu talento, ganhar um dinheirinho e ainda ter o prazer de fazer o que gosta. Pois bem, perguntei se ela também cortava cabelo de homem e ela disse que não, mas que sua vizinha da frente cortava. Seu nome? Francielle. Duvido que a chamem assim, mas depois eu conto.

Outro dia me indicaram um jardineiro cujo nome era Geová. Fui até a casa onde ele estava trabalhavando naquele dia e perguntei só pra confirmar: "Qual é o seu nome?" E ele disse: "Leovando". Fiquei surpresa e verifique se não estava na casa errada, mas ele se antecipou e disse: "A senhora é a dona que a dona Edna falou que quer um jardineiro?". Eu respondi: "Mas ela disse que o jardineiro se chamava Geová". E ele prontamente disse: "Sou eu. Uns me chamam de Vando, outros de Leo, e a dona Edna me chama de Geová. Pode me chamar do jeito que a senhora quiser". Eu, rapidamente, resolvi ficar com Leo, só pra descomplicar.

Bom... outras surpresas ainda me aguardam, mas ando querendo mesmo é achar um Santo Anjo da Guarda. Este eu encontrei na Bahia.